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Eu, Lástima

Rastos de opiniões, histórias e desabafos de uma lástima ambulante.

Eu, Lástima

Rastos de opiniões, histórias e desabafos de uma lástima ambulante.

Tatuar não é estragar

26.08.20, Lástima

Quero já dizer que quem é contra tatuagens tem demasiado tempo livre. Sim, eu sei que entrei a matar, mas se há coisa que não entendo é o preconceito (no geral) e esta semana quero falar dos anti-tattoos.

Claro que eu poderia fazer este texto em nome de qualquer outra minoria, mas sinto que ainda não tenho capacidade de escrita suficiente para expor a minha opinião sobre discriminação e não quero expressar algo que possa ser mal interpretado. Por isso, decidi falar de tatuagens, uma das coisas mais parvas para se ser "anti", e debruçar-me sobre os argumentos mais usados por quem, por algum motivo, olha para tatuagens alheias e sente que tem de opinar.

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"OLHA QUE ISSO É PARA SEMPRE"

Eu sei. Quem tatua ou é tatuado sabe (pelo menos deveria saber). Aliás, é o suposto. Ou é preferível ter aqueles restos de tinta meio manhosos que a pequenada tem quando coloca os autocolantes do Bollycao? Okay, eu consigo perceber que há pessoal inconsequente e que se "esquece" que aquilo é para sempre (ou até ter a coragem e o dinheiro necessários para a poder remover), mas eu sou apologista do "My body. My choice", pelo que não faz sentido alertar para algo que deve resultar apenas numa escolha individual.

"E quando evelheceres, como é que vai ser?" A esta pergunta eu respondo bem fácil. Quando envelhecer, serei uma velhota badass com alto cenário. Tão simples quanto isto.

"TATUAR O CORPO É PECADO, É COISA DO DEMÓNIO"

Eu fui pesquisar e não é tanto assim. Aqui a tua amiga esteve a ver algumas coisitas sobre religião e tatuar não é o bicho pecador que tantos pregam. (Prepara-te para um pausa neste texto absurdo para um momento didático):

Igreja Católica

Todos os não crentes já sabem que a Igreja Católica consegue ultrapassar os limites do razoável - e todos sabemos que há muuuita coisa a apontar a esta doutrina. Inicialmente não permitia a prática de tatuagens, como provado neste versículo (coisa que eu nunca pensei colocar num texto meu):

Levíticos 19, 28: “Não façam cortes no corpo por causa dos mortos nem tatuagens em vocês mesmos. Eu sou o Senhor”

Pelo que percebi, existiam práticas pagãs que envolviam o contacto com o mundo dos mortos e as tatuagens provavam isso (sendo esta uma crença super credível, claro). Contudo, porém, não obstante, hoje as tatuagens já são permitidas, havendo até imensas passagens bíblicas tatuadas em vários comuns mortais - maioritariamente concorrentes de reality shows.

"QUEM TEM TATUAGENS É UM REBELDE, UM CRIMINOSO"

Hmmmm... Não necessariamente. De todos, acho que este é o argumento que menos percebo. Claro que existem criminosos tatuados, mas qual é a lógica por detrás desta forma de pensar? A agulha que está a pintar o girassol no meu pulso chama-se "Amarelo Maléfico" e pode mudar o meu caráter? Alguém que me esclareça isso, porque eu queria tatuar-me para a semana mas não quero passar a ser a Cruella de Vil.

Acho que é isto que tenho a escrever sobre este assunto. Nem sei sequer como o posso concluir. Faz-me confusão pensar que, em pleno século XXI, existem pessoas discriminadas por quaisquer que sejam os motivos e que isso influencie a forma como são tratadas na sociedade. Mas eu não quero ser a única a dizer o que penso. Dá-me a tua opinião aqui em baixo ou no nosso Instagram que eu estarei à tua espera para podermos conversar!

A Natércia até sabe o que diz

19.08.20, Lástima

Pois é. Estamos em plena época balnear. Ai o quanto gosto desta altura! De passar o dia de papo para o ar enquanto me bronzeio e mergulhar na água fresca daquelas praias desertas que só eu sei... Esta altura é a melhor para a minha paz de espírito. Se durante o ano eu sou a encarnação do stress, assim que coloco os pés na areia todos os demónios abandonam o meu corpo. E por gostar tanto de praia é que não percebo o desgosto que algumas pessoas têm com ela. Por isso, hoje fiquei com vontade de falar de um sítio que tanto amo mas que não tem só coisas boas. 

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Ir à praia é sinónimo de calor e tempo livre, simbolizando o Verão Azul que todos merecemos e sonhamos ter - pelo menos era o que eu achava até perceber que há pessoal que prefere trocar toda esta felicidade por dias escuros a olhar para um ecrã. Não tenho nada contra a introversão, mas quem é que não haveria de gostar de andar nas dunas, com os óculos de sol e o bikini às bolinhas amarelas na praia do Sol da Caparica(Sim, dei o meu melhor para incluir o máximo de hits portugueses sobre praia. Se foi cringe? Talvez. Mas sou uma lástima, tens de me dar o desconto).

Todo o mix de mar, areia, sol, calor, bronze, paisagem e bolas de Berlim preenche-me o coração - e as artérias, porque o doce de ovo com cobertura de açúcar faz questão de contribuir para o aumento do meu índice glicémico. Mas também consigo ver que nem tudo é um mar de rosas.

PESSOAS

Como te já tinha contado num outro post, eu não gosto de multidões. E um dos problemas de tanta gente gostar de praia é esse mesmo. Como um ilustre compatriota outrora afirmou, as praias costumam estar "(...) mesmo à pinha, [há] muita gente e há sempre o risco de, ao esticar a mão, colocá-la no seio da vizinha". 

AREIA

Okay, eu sei que há pouco incluí a areia no meu mix de coisas boas da praia. Mas tenho de admitir que ela pode ser traiçoeira - de várias formas, até. A manha mais dolorosa que a areia pode ter é mesmo a sua fervura. Eu adoro a sensação dos grãos de areia nos pés (yup, reparei que isto foi demasiado gráfico), mas quando bate o sol das duas da tarde e eles se decidem transformar numa placa de indução eu contorço-me toda. Se me quiser bronzear, tenho de estar de pernas levantadas como se fosse fazer yoga ou estivesse a treinar ginástica olímpica.

E se não fosse suficiente dar uma queimadura nos pés, a areia também é carente. Só pode. É que vai contigo para todo o lado - não dá para sair da praia sem levar 5kg de recuerdo para decorar o carro ou ficar colado na roupa.

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BRONZES FALHADOS

Natércia Barreto pode chorar por ver o namorado com outra (e se não percebeste a referência é porque andas a ignorar as pérolas musicais que te dei neste texto), mas eu choro quando fico com aquele bronze à surfista que mais parece que a minha cabeça pertence a outro corpo. Ou quando espalho mal o protetor e fico com forminhas na pele. Pior: quando adormeço com o braço em cima de mim e acordo com uma marca branca toda deformada na barriga. Eu vou à praia para tentar ser uma deusa de bronze, não uma imitação da mulher-lata enferrujada.

Acho que com toda esta reflexão consegui perceber o porquê de algumas pessoas não gostarem de praia. Claro que, por mais que as desvantagens existam, eu nunca irei suprimir a vertente sereia que tenho em mim, mas talvez as pessoas anti-praia não sejam os aliens que eu pensava no início. Agora diz-me de tua justiça: és amante ou odios@ de praia? Espero por ti nos comentários!

Tirar ou não tirar? Eis a questão

12.08.20, Lástima

Com isto da quarentena houve muita coisa que cresceu em mim. A procrastinação, o consumo de açúcares processados por minuto e, pior de tudo, o buço. Eu já nem posso chamar a isto buço - o que eu tenho na cara é uma bela bigodaça. 

A nova companhia do meu lábio superior já co-habita comigo há meses. Eu estou desconfortável, não gosto da sensação de um bigode na cara. Mas tenho medo: é que, se a sensação de cera quente na cara com um bucinho de 3 semanas dói que se farta, imagino meses. Na minha cabeça vou ficar sem epiderme.

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A parte boa é que vou poder esconder tanto o bigode farfalhudo que já faz parte de mim como a falta de pele que vou ter quando ele se for embora: a pandemia deu-nos máscaras! (Eu sabia que uma crise a nível mundial não podia ser inteiramente má). Com esta desgraça toda, vou poder tapar não só a bigodaça como a papada - mas esses são outros quinhentos.

E assim me surge uma grande dúvida sobre o buço (e depilação no geral): tirar ou não tirar? Como já tinha dito, ter muitos pêlos é algo que me deixa desconfortável. Por outro lado, eu sou um franganote mariquinhas que não sabe se está disposto (ou consegue) aguentar a dor da cera a escaldar na sua pele frágil. Devo ter coragem e voltar a ser a Lástima depilada de antes ou devo assumir que agora sou um Yeti e que já não há volta a dar?

Ir à depilação é toda uma experiência - e sempre que preciso de ir tenho um conflito interno. Já falei da dor, que é o fator óbvio que me coloca este dilema sob os ombros. Mas, como disse, ir à depilação é uma experiência por si, e há muita coisa que acontece (ou pode acontecer) que se enquadra mais na categoria de "contra" do que "pró".

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CONVERSA DE CIRCUNSTÂNCIA

Frequentemos ou não o mesmo salão há séculos, acontece sempre o mesmo: não há tema de conversa. Quer dizer, haver até há, mas como não existe uma grande relação entre o monstrinho peludo que somos e a esteticista, o leque de tópicos para falar é pequeno. Por norma fala-se sempre da mesma coisa - do tempo, da escola/trabalho, dos filhos, do quão difíceis são os meus pêlos, se a cera está a magoar, do covid (agora nesta época)... E quando já se falou disso tudo? Pois. Está na hora daquele silêncio constrangedor que todos adoramos.

CONTACTO VISUAL

Outra coisa que me deixa sempre à nora quando vou ao meu rico estabelecimento de depilação é o contacto visual. Até posso estar a pensar demasiado mas, na verdade, nunca sei bem para onde devo olhar (ou se devo ter os olhos abertos sequer). Parte de mim acha que ter os olhos abertos é mau por 2 motivos:

1. Não sei para onde olhar. Se estiver de olhos abertos, é suposto ficar a olhar para o teto ou para o dia de ontem? Claro que não posso fazer contacto visual direto com a esteticista porque é algo demasiado íntimo e intenso para se partilhar, mas se estiver fixada num candeeiro qualquer mais pareço uma maluquinha.

2. Pode ser perigoso. Convenhamos, estou com cera quente na pálpebra. Será que o mais prudente é ter os olhos abertos?

Por outro lado, se tiver os olhos fechados mais parece que estou a dormir ou desmaiada, o que também não me parece ser a postura ideal quando me estão a tentar dividir a monocelha em dois.

QUANDO NÃO FICA COMO QUERO

Acho que esta é a pior parte. O que é suposto fazer quando me olho ao espelho logo após a sessão e vejo que as minhas sobrancelhas mais parecem primas afastadas em vez de gémeas? Não dá para fazer Ctrl+Z na vida real, por isso sou obrigada a habituar-me ao facto de que a minha cara vai ficar ainda mais assimétrica nas próximas semanas. E acontece sempre isto: quando a esteticista me pergunta, com um sorriso na cara, se gostei eu apenas aceno com a expressão mais simpática que consigo ter enquanto choro por dentro.

E é por tudo isto que entro em curto-circuito quando preciso de marcar uma sessão de depilação. Tirar ou não tirar vai continuar a ser o dilema dos meus dias, pelo que preciso da tua ajuda para saber se o que devo fazer é aceitar o Chewbacca que há em mim ou voltar a ser o Rufus que era antes. Por isso, espero por ti no nosso Instagram ou na secção de comentários para me contares os teus episódios mais lastimáveis quando também vais à depilação. Até lá!

A Mãe Natureza não gosta de mim

05.08.20, Lástima

Eu acho que não sou uma pessoa da cidade. Não lido bem com multidões, com o constante barulho nem com a pressa imparável - porque para stressada basto eu. Mas, com o desenrolar desta vida madrasta, tenho-me vindo a aperceber que também não sou uma pessoa de campo. Não é que não goste de estar em contacto com a natureza. A natureza é que não vai lá muito com a minha cara.

Achas que posso estar a exagerar? Então prepara-te. Senta-te bem confortavelmente onde quer que estejas e conhece alguns dos meus conflitos com a ecosfera.

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AR

Se eu fosse um animal seria um pato - ele andam, nadam e voam. São um símbolo de liberdade a meu ver. Mas claramente que os seres com asas não têm tanta admiração por mim como eu tenho por eles.

A primeira história que tenho para te contar aconteceu quando eu era uma mini-Lástima na manhã do meu exame de economia. Se já não fosse um momento enervante (porque a querida queria entrar na faculdade antes de saber todo o caos que iria ser), ainda fui brindada com um pardal. Mas não era um pardal qualquer, de certeza - era um pardalito que ainda estava a tirar a carta de voo. Ora bem, estava eu mais ou menos confiante para o exame quando, do nada, aquela tentativa de ave de rapina surge do além e vai contra mim. Sem mais nem menos, fui atacada no braço esquerdo por uma poia voadora.

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TERRA

Caso aquele súbito ataque não provou que os animais selvagens não gostam de mim, fica com mais um episódio. Este aconteceu depois de passar no exame de economia e ter entrado na faculdade. Para bem (ou mal) dos meus pecados, o instituto de ensino superior que me calhou na rifa situa-se na Ajuda - coisa que eu preciso. Era uma bela tarde de quase verão, estava um sol radiante e eu, inocentemente, ia para a paragem de autocarro. Estava a percorrer o caminho de sempre quando, no alto do Pólo Universitário da Ajuda, havia uma criança de 14 anos, sensivelmente, a dar aulas de equitação a um homem de 40. "Mais um dia...", pensei eu, sem ter noção que, poucos segundos depois, o homem ia perder o controlo ao bicho e ele vinha a correr na minha direção, pronto para me dar uma marrada.

O que é que eu fiz? Nada. Fiquei tão confusa com tudo que me limitei a ficar em pé à espera que a pata do cavalo fosse parar à minha testa. Felizmente a rapariga fez um truque qualquer e deu conta da situação, senão o meu caso seria tema de abertura na CMTV (e ninguém quer ver isso).

No fundo, tenho vindo a concluir que a Mãe Natureza é aquela sogra chata que faz de tudo para que a tua vida seja um inferno. Mas não posso ser a única nora sofrida que anda por aqui. Também já passaste por algum episódio do género ou só eu é que fui amaldiçoada pelos deuses do meio ambiente? Diz-me o que pensas nos comentários ou no nosso Instagram que eu fico à espera para saber as tuas histórias.