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Eu, Lástima

Opiniões, histórias e desabafos de uma lástima ambulante.

Eu, Lástima

Opiniões, histórias e desabafos de uma lástima ambulante.

Dona de Impressões Desesperadas

parte 1

02.05.25, Lástima

Neste meu novo trabalho, tenho a sorte de, de quando em vez, entrar no star system nacional e interagir com figuras do mundo da comunicação e entretenimento como nunca esperei. Contudo, como é fácil de calcular, as experiências que tive justificam o "bom" nome deste blog. E como, aparentemente, não tenho vergonha no teclado ou amor à eventual reputação que poderia ter no meio, partilho alguns dos episódios mais lastimosos deste meu FamaShow.

O primeiro só podia ser com uma lenda das manhãs, das tardes e de todos os fusos horários, na verdade. Sim, é quem estás a pensar. The one and only Júlia Pinheiro.

Tudo começou com as gravações do seu novo podcast, onde o meu trabalho, no fundo, consistia em absorver a magia desta incrível senhora. E porque, sempre que é necessário, me falta noção, avanço já para a primeira vergonha: acaba um episódio e eu, a achar que estava no programa da tarde, começo a aplaudir. Só eu. Euzinha e as minhas mãos contra o silêncio perfurante do estúdio e a confusão nos olhares de toda a equipa. O que vale é que eu já sei que sou ridícula e lancei a graçola de que sempre tive o sonho de ser palmista nos programas dela. Felizmente não me correu mal e passou a ser a tradição das gravações seguintes. Olha para mim a ser uma trendsetter!

Mas não é só. Eu não sou só a menina fascinada que bate palmas qual macaquinho de circo. Sou a menina prestável que, sem consciência das consequências, aumenta o fosso da sua ridicularidade. Nesse mesmo dia, porque uma vergonha não era suficiente, houve uma entrevistada que se sentia desconfortável com o calçado que trouxera. Eu, na qualidade de fã da Júlia e de pessoa com poucos poderes no geral, só lanço um "quer os meus sapatos?". A convidada, provavelmente tão ou mais louca que eu, disse que sim. Então descalcei-me, dei-lhe os meus Converse esburacados e passei a gravação, fora do plano é certo, descalça imediatamente ao lado da minha apresentadora favorita. Era ela a discursar sobre a menopausa e eu com os meus dedinhos dos pés a dar a dar.

Com tantas interações peculiares (no mínimo), a tia Júlia já sabia o meu nome e este foi um momento de viragem na minha jornada de fã. Após a gravação de um outro episódio - este dia foi demasiado longo -, a rainha das tardes estava a conversar com a equipa e, espanta-te, pediu-me opinião. A mim. À louca das palmas que se descalça. Como se eu já não parecesse suficientemente bizarra, demorei a responder porque não acreditava que ela me estava a dirigir a palavra. No que é que isso deu? A Júlia, para me chamar à atenção, deu um subtil pontapé.

Leste bem, CMTV: Júlia Pinheiro pontapeia jovem fã. Fora de clickbaits, foi um momento que guardo com bastante carinho. Estávamos a falar sobre as diferenças entre o entretenimento nos media tradicionais vs. digitais e a Júlia quis saber a opinião de uma representante da geração Z. Podia ter-lhe calhado alguém melhor na rifa, mas só estava lá eu para tentar acrescentar pontos interessantes ao tema. Prometo que dei o meu melhor.

Depois de um longo dia de produção, a Júlia já sabia o meu nome, o quanto a admiro e percebeu que sou mais que uma maluca que andava ali pelo cenário. Num ato de pura simpatia e bondade, despediu-se com um abraço apertado e a pergunta que mais queria ouvir: "queres tirar uma foto?". Já eu, por não a querer incomodar e notar o seu cansaço depois de horas a fio a entrevistar malta, rejeitei o convite. Não me digas nada, ainda hoje dou chibatadas mentais sempre que recordo o momento.

Claro que não fui rude nem nada do género, mas como ainda teríamos outra temporada pela frente achei que seria mais adequado deixá-la ir embora, descansar e aproveitar o fim-de-semana sem mais doidices minhas. É certo que ainda hoje me arrependo, mas na altura estava mais preocupada em não dar trabalho a alguém de quem tanto gosto.

Este diário de confissões inusitadas já vai longo, por isso talvez guarde as interações com o Júlio Isidro ou com o Sam The Kid para outras núpcias. Enquanto esses textos não chegam, deixo-te a dúvida: é impressão minha ou sou péssima em primeiras impressões?