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Eu, Lástima

Opiniões, histórias e desabafos de uma lástima ambulante.

Eu, Lástima

Opiniões, histórias e desabafos de uma lástima ambulante.

Herdeira Noveleira

20.03.25, Lástima

Preciso de falar do meu vício do momento. Não, não é o Pipy da Cristina que isso já perdeu o hype. Também não é o "Adolescência" que tem vibrado na Netflix. É mesmo a novela "A Herança" da SIC.

É que é assim: eu amo um bom cliché. Se tiveres uma história para lá de previsível com atores gostosões (e gostosonas e gostosones, que uma querida esteve fora mas continua inclusiva) diz-me. Critérios? Não tenho. Foleirices? Amo. Sinceramente? Não confirmo nem desminto.

Se não vês esta novela, deixa-me pôr-te a par: estás em Ribeira Fria - na verdade, no Montijo e na photoshoplândia - e tens a Sofia (Patrícia Tavares), uma mecânica pobre que perdeu a oficina, já tinha perdido a casa e agora tem de se desenvencilhar. Com ela, tens também a Teresinha (Laura Dutra), a afilhada desbocada e protagonista do grande plot de gato e rato que provavelmente já atingiu o teu TikTok. Sofia tem uma filha, a Ana (Bárbara Branco), que fugiu de casa há 10 anos para namorar com um homem mais velho que trabalhava na noite de Albufeira e nunca mais deu sinal de vida. Temos então os ingredientes todos para uma mãe guerreira acabadinha de sair do forno.

A história começa com Sofia a ser despejada da oficina pelo senhorio ruim. Num ato de desespero para arranjar dinheiro, a nossa protagonista arranja um trabalho de um dia na herdade dos Novais (podia ser dos de Linhaça, mas acho que o Henrique Dias se apoderou desse apelido para sempre). E quem são os Novais? A família mais rica do sítio, agrobetos de primeira apanha cujos cabecilhas são, nem mais nem menos, que Raul (Virgílio Castelo) e Brígida (Sofia Sá da Bandeira).

Ora, esta família estava a fazer um evento/competição/mostra/o que for de cavalos e precisava de mais gente a trabalhar lá, e é quando Sofia agarra a oportunidade e se cruza pela primeira vez com Gonçalo (José Mata), o cavaleiro andante lá do estábulo. Até tocam nas mãos um do outro em slow motion para percebermos que o tempo parou mal cruzaram olhares e interagiram pela primeira vez. Só não desenharam faíscas com Inteligência Artificial porque devem ter gasto os créditos grátis todos quando criaram uma "fotografia" da Ana antes de fugir, altura em que pertencia à banda do "Alvin e os Esquilos" porque só isso justifica a falta de proporção nas bochechas. Mas pronto. Tudo um amor.

Bom, na verdade este romance pouco me importa contar porque 1) não quero dar spoilers e 2) venho queixar-me. É que o Gonçalo e a Sofia podiam ser um casal desencontrado graças às vicissitudes da história. Mas o Gonçalo caiu no radar de outra. E não é outra qualquer: é a Ana, segundo nome Beatriz, que voltou à terrinha e se apaixonou pelo namorado - melhor, crush - da mãe. Agora, alguém me explique este incesto platónico.

Voltando ao coiso dos cavalos, Sofia também se cruza com Raul - ou, caso tenham mais pedigree que eu, doutor Raul. O homem parece que viu um fantasma, pois olha para a mecânica equinocultora e vê logo que é a cara chapada da empregada com quem dormiu há uns sépias e engravidou dele. O doutor safado nunca assumiu a criança nem quis saber da sua amiga colorida mas, como os remorsos têm mais efeito quando ganhamos cabelos brancos e vemos que assumir os erros já não nos trazem consequências, decidiu incluir Sofia no testamento, não fosse o diabo tecê-las.

Por falar em diabo - que ponte ótima! -, venho apresentar o Vicente (Ricardo Pereira), filho de um ex-sócio do doutor Raul e que promete vingança. De olho azul penetrante e um objetivo bem fixado, este menino da mamã não vai descansar enquanto não fizer o que ainda não foi feito. 

Aproveitando as pontes temáticas, deixo o detalhe mais insano e que me faz desmanchar a rir sempre que surge. O Vicente, como já percebemos, é um vilão. Mas caso não fosse óbvio, em todas as suas cenas, faz um contacto visual profundo ao som de "É O Diabo" do Pedro Abrunhosa. Eu não sei quem teve esta ideia mas merece um aumento. É completamente delicioso.

Com todo este enredo, tens ainda mais trezentas sub-histórias igualmente cativantes, mas achei que este resumo deveria bastar para te deixar entrar no universo fantástico desta novela de aconchego. E pronto, aqui tens uma recomendação cultural para os dias mais tediosos ou de ressaca. De nada.

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