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Eu, Lástima

Um heterónimo que realça o lado mais cómico, crítico e lastimoso da vida de quem me decidiu criar.

Eu, Lástima

Um heterónimo que realça o lado mais cómico, crítico e lastimoso da vida de quem me decidiu criar.

Não ficou tudo bem. Mas pode ficar

parte 1

23.12.20, Lástima

Penso que 2020 foi o ano mais longo e complexo pelo qual passámos. Começou cheio de promessas e sonhos e logo no início caiu em desgraça. Parece que o meme "rindo até 2020" era, na verdade, um presságio para o que teríamos de enfrentar.

A minha ideia para encerrar o capítulo relativo aos últimos 365 dias seria inspirada nuns relatórios bastante divertidos e muito bem feitos (que eu aconselho vivamente para quem não conhece). Só que eu não tenho o talento do Batáguas, por isso vou-me ficar pelo lado mais pedagógico da coisa e vou deixar o humor para o humorista.

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JANEIRO

Lembro-me das 23h59 do dia 31 de dezembro de 2019 como se fosse ontem, um momento pelo qual ansiava e depositava todas as minhas esperanças para que o ano me sorrisse mais que o anterior. Pois nem dois dias se tinham passado desde o começo de 2020 quando houve um bombardeamento americano que provocou a morte de Qassem Soleimani, um dos homens mais poderosos do Irão. E claro, só poderia ter gerado mais bombardeamentos entre as tropas norte-americanas e islâmicas, criando um ambiente de alta tensão entre duas potências mundiais.

Do outro lado do mundo, enquanto isto acontecia, mantinham-se os fogos aterradores na Austrália, que enfrentou o seu pior pico de incêndios de sempre e perdeu milhares de milhões de animais e hectares de floresta. Já nas terras europeias, seguindo a lógica do Brexit, o príncipe Harry e a esposa, Megan Markle, anteciparam-se e decidem afastar-se das funções da família real, originando o chamado Megxit.

Por fim, após a identificação do novo coronavírus na China, que ocorreu em dezembro, a Organização Mundial da Saúde classifica o surto como uma emergência global ao nível da saúde pública. E como se tudo o que se estava a passar não bastasse, o mundo ainda perde Kobe e Gianna Bryant num terrível acidente de helicóptero.

FEVEREIRO

Mudamos o mês, mas o drama mantém-se no continente americano. Se na América do Norte o presidente Donald Trump é absolvido dos seus crimes de abuso de poder e obstrução ao Congresso (eu também não sei como...), na América do Sul - mais precisamente no Brasil - surge o primeiro caso do novo coronavírus, na cidade de São Paulo.

Estes cenários estão cada vez menos bonitos de se ver, porém há que congratular a astronauta Christina Koch: então não é que ela completou 328 dias no espaço, a bordo da nave Soyuz MS-13, e quebrou o recorde da missão espacial mais longa feita por uma mulher? #GirlPower

MARÇO

E como três foi a conta que Deus fez, é no mês de março que surge o primeiro infetado de COVID-19 em solo lusitano, despoletando o primeiro Estado de Emergência que o país iria ativar.

Dados os avanços que a doença estava a ter no mundo, é também neste mês que a Organização Mundial da Saúde declara o vírus uma pandemia mundial, resultando no adiamento ou cancelamento de eventos que incluíssem ajuntamentos (que é como quem diz todos os eventos), nomeadamente o Campeonato Europeu de Futebol e a Copa América. Infelizmente, o Festival Eurovisão da Canção 2020 foi cancelado pela primeira vez desde 1956.

Vendo a curva de infeção a aumentar compulsivamente no nosso país, a comunicação social portuguesa sente a necessidade de cumprir com o seu dever de responsabilidade social. Talvez por isso, Portugal é abalroado por um pivot intervencionista que usa a sua voz para alertar para os perigos que a pandemia pode trazer. É neste sentido que surge o grande Rodrigo Guedes de Carvalho que, acima de tudo, pede que o povo tenha noção.

Mas nem tudo no mês de março foi mau: Bruno Nogueira decide salvar as noites dos internautas e começa com a sua série de lives "Como É Que O Bicho Mexe". Não fosse isso mais que suficiente, o país e o mundo começam a sofrer da febre HouseParty - pelo menos até ver que, afinal, a aplicação era suspeita de roubar dados e toda a gente a desinstalar.

ABRIL

É em abril que Portugal atinge o pico da primeira vaga do surto de SARS-CoV-2, sendo cada vez mais incentivado o confinamento e o teletrabalho. Por isso mesmo, começam a surgir dois tipos de pessoas na quarentena: os que fazem exercício físico feitos loucos e os que decidem emborcar tudo o que é comida e fazer pão caseiro. Tendo em conta que o aconselhável é ficar em casa, as janelas começam a ser decoradas com desenhos de arco-íris a dizer "Vai ficar tudo bem", os vizinhos cantam nas varandas e, de noite, segue-se a onda de aplausos a homenagear e agradecer aos profissionais de saúde pelo esforço que estão a fazer por todos nós.

E como as estações de televisão não perdem uma, estreia-se o Big Brother 2020, apresentado por Cláudio Ramos e que ofereceu momentos como "Noélia. Noélia. Noééééélia!".

No outro lado do mundo começam a surgir rumores de que o ditador Kim Jong Un tinha falecido, coisa que se veio a provar falsa.

MAIO

Maio chegou e veio acompanhado de uma dose exorbitante de constrangimento. Sou capaz de te desbloquear uma memória perdida, mas lembras-te do vídeo repleto de personalidades americanas a cantar "Imagine" do John Lenon como forma de tentar dar esperança à ralé? Pois.... Foi bem estranho. Parte de mim consegue compreender a intenção do vídeo, mas todas essas pessoas estão a confinar em mansões trilionárias. Acaba por ser difícil alguém acreditar que tudo ficará bem quando se está a passar uma quarentena num quarto minúsculo.

E como reflexo do aborrecimento máximo que as pessoas estão a passar durante a pandemia, toda a santíssima alma pensa que é boa ideia lançar o seu podcast. Com o andar da carruagem, é capaz de, neste momento, existirem mais podcasts ativos que ouvintes disponíveis.

Agora numa nota mais séria, maio também foi marcado pela morte violenta de George Floyd, vítima da brutalidade policial americana. Por isso mesmo, começaram as manifestações Black Lives Matter dos Estados Unidos para o mundo, com o propósito de alertar para o preconceito demasiado presente na atualidade e para a extrema violência com que as autoridades tratam cidadãos de etnia não-caucasiana. 

JUNHO

Com o "adeus" oficial dos festivais de verão para 2020, abre-se espaço para o debate acerca do racismo em Portugal. Sendo um tema tão sério, pertinente e finalmente a ter o holofote que merece, muitos se começaram a questionar também sobre o impacto que as influenciadoras digitais tinham acerca deste tipo de temáticas. E é aqui que entra a Sandra Silva Oficial.

Sendo uma influencer conhecida pelo spam que faz nos insta stories e que diz ser apologista de espalhar mensagens importantes e de tolerância para o outro, muitos dos seus seguidores pediram que desse o seu parecer acerca de tudo o que estava a passar nas últimas semanas. Mal eles sabiam que não o deviam ter feito, pois a coisa deu polémica a partir do momento em que a instagrammer se recusou fazê-lo porque não quer falar de um assunto que está nas tendências só para se sentir cool e incluída na sociedade. Aliás, fãs e não fãs até foram brindados com frases como "Eu não sou racista, okay? Não é fixe as pessoas andarem a morrer".

Caso tenhas curiosidade ou te queiras relembrar do que se passou, podes carregar aqui e tens um excerto do sucedido.

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Infelizmente também, Portugal perdeu Pedro Lima, um ator amado por muitos e que, infelizmente, perdeu a batalha contra a depressão.

O ano ainda vai a meio e já tanta coisa aconteceu. É estranho pensar que este texto apenas relata 6 meses que mais pareceram 60 anos. E por sermos uns sobreviventes nesta loucura que é 2020, para a semana trago-te o resumo do resto - é que passámos por demasiada coisa, credo! Caso estejas a gostar do que lês, comenta na caixa de comentários o que pensas sobre esta metade de 2020 e espera por mim para te contar a minha visão do que foram os 6 meses seguintes. Caso não tenhas gostado, por favor diz-me de que forma posso melhorar (que aqui a querida quer evoluir nesta coisa da escrita). Fico à tua espera!

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