Pé na Aréola
Notícia de última hora: blogueira sofrida dos presuntos vai à pedicura pela primeira vez pós-pandemia. Bom, sei que já é meu apanágio escrever sobre coisas inúteis e inusitadas, por isso nem me desculpo pelo que vou contar a seguir. A tua amiga, outrora com 7 dedos em cada pé, já tem umas patinhas dentro da norma social. Woop woop!
Ah pois, hoje decidi ter um pequeno me time e fui aparar os cascos. Resultado? Digamos que não entrei com o pé direito.
Nunca tinha ido àquele espaço e fui por recomendação de um familiar que, tal como eu, adora um "bom e barato". 12 euros para uma pedicure é um achado que não pensei achar em pleno 2025, por isso lá dei uma oportunidade. Para breve histórico, sempre sofri muito aqui na base desde que me lembro, pelo que uma manutenção marota era essencial para me conseguir manter em pé (desculpa, voltei com os trocadilhos em força). Estava de folga e prontíssima para algum autocuidado, então lá me fui aventurar na marcação que me esperava.
Chego, e por ser nova cliente não fui presenteada com o amigável "olá" que só os habitués têm direito. Tentei meter conversa uma ou duas vezes, fazendo referência à familiar que nos unia, tendo alguma espécie de humor autodepreciativo para quebrar o gelo, e nada. Silêncio total. Quer dizer, isso também não, porque o Spotify Não Premium estava encarregue de passar toda a música espanhola que tinha no seu portefólio. Iria ser uma hora, pensei, bem longa.
Lástima que é lástima não tem direito a momentos de paz. Do nada, qual cavaleira andante salvadora das interações tímidas, surge, diretamente das traseiras do espaço, a dona Alda. Quem? O meu novo ídolo.
91 anos, olho azul e cabelo acabadinho de ser arranjado. Esta senhora estava pronta para pôr a conversa em dia - não comigo, que nunca me tinha visto mais gorda, mas com a encarregada dos meus calcantes. Começam em amena cavaqueira, eu a assistir já mais contente porque deixei de sentir pressão para conversar, e é quando o inesperado acontece.
Não havia bem motivos ou requisitos, mas o meu novo modelo a seguir, completamente do nada, decidiu mostrar-me (ou nos, já que a conversa nem era comigo) as mamas. Vou deixar-te refletir sobre o que acabaste de ler. Mamocas de uma quase centenária.
Ninguém pediu, porém a dona Alda entregou. E eu de berbequim na pata, sem poder fugir ou buscar lixívia para desver o que tinha acontecido. Depois deste momento de confraternização, aprendi tudo sobre a vida da senhora: quantos maridos teve, o que fez e o que faz, quem cuida de si, que teorias tem sobre a vida, as fofocas do bairro... ficámos BFF's.
E pronto, o que achava que seria uma hora de gelo transformou-se em meia hora bem caliente. Contra tudo o que imaginava, nesta ida à esteticista, acabei por cair de pé.
