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Eu, Lástima

Opiniões, histórias e desabafos de uma lástima ambulante.

Eu, Lástima

Opiniões, histórias e desabafos de uma lástima ambulante.

Podia Ter Sido Pior

21.12.25, Lástima

2025 foi um ano de limites. Ao mesmo tempo, saí da minha zona de conforto e sinto que, em muitos momentos, me levei ao limite. Contraditório, eu sei, mas, de facto, a vida é uma montanha-russa. E eu adoro carrosséis.

Este ano, contra todas as minhas crises existenciais, quero refletir sobre o bom. Porque houve muita coisa boa e eu tenho a tendência de usar esta fraca memória contra mim. Este texto foi inspirado numa trend das redes sociais: no vídeo, a pessoa tem um bolo e nele coloca vários papéis com as suas conquistas do ano. Das mais discretas às que mais pareciam ser insuperáveis, das que ninguém contava às que todos estavam à espera. Como influenciável, fiquei com vontade de participar.

A fatia de janeiro destaca-se com uma vitória laboral. O ano começou com a minha primeira produção oficial de um podcast, onde tive a oportunidade a conhecer várias figuras públicas que admirava e, se não fossem elas, nem teria material para te mostrar que sou uma tosca. Foi também o mês em que comecei a ter mais respostas sobre algumas questões de saúde que me atormentavam.

Fevereiro estreou-se com um jantar de aniversário que me obrigou a confrontar o luto de certas amizades. Sentar à mesa com fantasmas do passado é chato, mas também consegue ser libertador. Cumpri com um desejo há muito aguardado - fiz a minha primeira doação de sangue. Por último, mas certamente não menos importante, abre-se a época de concertos com Van Zee e Plutonio.

Março manteve o movimento diário, com direito aos concertos de Dillaz e Mizzy Miles para abanar o esqueleto.

E já que estamos a falar de mexer o corpo, abril foi um mês marcado de festas de aniversário e saídas à noite, sem esquecer os concertos de Sainté e Slow J.

Maio foi mexido. Aqui, investi em mais tempo de qualidade com a minha irmã, comecei a ver os primeiros resultados do meu processo de perda de peso, fiz a primeira viagem do ano e fecho em grande com mais dois espetáculos: o stand-up de Carlos Coutinho Vilhena e a disrupção do ProfJam.

Em junho descansei, fui ao teatro, saí com amigos, dei as boas-vindas às festas da terrinha e fui, para surpresa de absolutamente ninguém, a mais concertos: Carolina Deslandes e Confuse.

Julho segue um padrão semelhante, mas aqui acrescento uma inesperada ida à Feira Medieval de Óbidos e o pinch me moment de ter trabalhado no concerto do Kendrick Lamar. Sim, posso dizer que me pagaram para ver o Mr. Morale e irei sempre gabar-me disso mesmo que tenha ficado 12h em pé à estorreira do sol porque o importante é romantizar a vida, 'tá? Foi também neste mês que iniciou a grande feira da cidade e, graças a ela, vi Dino D'Santiago.

O melhor de agosto está nas férias com o meu namorado, um não amante de praia que preparou a surpresa de descer a Costa Vicentina pela sua amada. Desde mergulhos na Praia do Pessegueiro às 7h a brindes de Sagres em Sagres, esta semana terá sempre um sabor especial. Aqui também tive o regresso de outro fantasma, mas este estava pronto para virar a página a um novo capítulo, o que me faz guardar este mês com ainda mais carinho. E porque as festas populares (na minha terra e nas vizinhas) estavam ao rubro, é claro que fui a mais concertos à borla: Bárbara Bandeira, Karetus, Plutonio (outra vez), DJ Dadda, DJ Diego Miranda e outros DJ's variados cujo nome não me recordo.

Setembro é época da vindima. E eu colhi um projeto que andava a plantaer e foi responsável por muito stress nesta cabeça ansiosa - a primeira edição do Digital Film Festival, um festival de curtas-metragens incorporado na programação do MOTELX. Fiz 7 anos de namoro, mudei de visual, fui a mais um concerto do Dillaz, a outro do Kura, trabalhei no do Post Malone, tive o choque de realidade que é ver, ativamente, de um crédito à habitação e, para acabar de forma melosa, fui a Paris avec mon amour.

Outubro manteve o seu dinamismo com umas "férias de verão" tardias: joguei mini-golfe, bilhar, setas, fiz escalada mesmo sendo a pessoa mais inapta para o fazer, enfim. Uma infinitude de atividades aleatórias com o objetivo comum de sair da rotina. 

Novembro foi altura de reavaliar a minha saúde. Recomeçam os exames e análises, a expectativa pelos resultados e, felizmente, vieram acompanhados de progresso e otimismo. Passeei, foquei-me no bem-estar, fui ao cinema e apanhei sol.

Agora que estamos em dezembro, mesmo que ainda não tenha acabado, posso dizer que estou expectante. Até agora, tem corrido bem: tenho estado com família, vi testes de stand-up, estive em mais um concerto do Confuse, ainda ontem fui a um espetáculo de magia e, finalmente, estou a ser responsável e a fazer o devido tratamento para a falta de ferro de uma dadora de sangue anémica.

Este ano, sinto que precisei urgentemente de fechar vários ciclos para me conseguir preparar e abrir outros. Esforcei-me para livrar de padrões menos saudáveis, estar rodeada de quem me acrescenta e não ter problemas em dizer "adeus" a quem, neste momento, só causa sofrimento. Escrever este texto foi parcialmente catártico, mas não quero passar a mensagem de que é tudo muito fixe, que estamos todos num mar de rosas cheirosas e não há momentos de sombra em posição fetal. Há e não são muitos; e não são muitos; bastantes. Só que esses, especialmente esses, são os momentos que nunca esqueço. A minha memória seletiva tem a capacidade de fingir demência a muito do que é bom. E como sou teimosa, quis contrariar-me e provar que, no meio de alguma escuridão, houve luz. Pelo menos luz suficiente para me conseguir recordar de coisas boas todos os meses. Para me continuar a esforçar em criar bons momentos. Para dar aquela auto-palmadinha nas costas.

É domingo, está de chuva e acordei nostálgica. Agora resta ver o que 2026 tem guardado na gaveta.

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